Dia das Mães deve movimentar quase R$ 38 bilhões e leva 127 milhões de brasileiros às compras

O Dia das Mães segue firme como a segunda data mais importante do calendário do varejo brasileiro. Este ano, a expectativa é que cerca de 127 milhões de consumidores saiam às compras, movimentando R$ 37,91 bilhões no comércio e serviços, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas.

O levantamento aponta que 78% dos consumidores devem comprar pelo menos um presente. As principais homenageadas serão as mães (74%), seguidas das esposas (19%) e sogras (15%). O tíquete médio previsto é de R$ 294 por consumidor, com gasto maior entre os homens, que pretendem desembolsar em média R$ 339. A média é de 1,68 presente por pessoa.

Apesar do apelo emocional da data, o cenário ainda é de orçamento apertado. Para 66% dos entrevistados, os preços estão mais caros este ano; apenas 5% percebem queda. Em relação à intenção de gastos, 39% afirmam que irão gastar mais que no ano anterior, seja porque desejam presentes melhores (57%) ou porque consideram que os produtos desejados subiram de preço (45%). Outros 19% devem gastar menos, pressionados pela necessidade de economizar (39%), pela crise financeira (36%) e pela existência de dívidas (33%).

“O Dia das Mães é o grande motor do varejo no primeiro semestre, mas o consumidor brasileiro chega a esta data com o orçamento mais apertado. Em um cenário onde a inadimplência ainda desafia muitas famílias, a pesquisa de preço deixa de ser apenas um hábito e se torna uma ferramenta de sobrevivência financeira. É fundamental que o consumidor celebre a data, mas sempre respeitando o planejamento doméstico para evitar um endividamento que comprometa os meses seguintes”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.

Moda, beleza e chocolates lideram a lista de presentes

A pesquisa mostra que os campeões de venda neste Dia das Mães devem ser itens de Moda (vestuário, calçados e acessórios), citados por 53% dos entrevistados. Em seguida aparecem produtos de beleza (perfumes e cosméticos), lembrados por 50%. Chocolates e flores aparecem empatados, com 24% cada, e experiências como restaurantes, SPA e viagens são opção para 19% dos consumidores.

Um dado que chama atenção é a disposição de parte dos brasileiros em recorrer ao mercado de produtos usados em ótimo estado: 37% dos entrevistados aceitariam presentear com itens de segunda mão. Ainda assim, a maioria (58%) faz questão de produtos novos, o que mantém a força do varejo tradicional. Dentro desse grupo, 24% afirmam que o presente precisa ser novo, independentemente da categoria, e 22% exigem que seja novo e lacrado.

Quando se fala em substituir o presente físico por dinheiro ou Pix, a opinião fica dividida. Para 47% dos consumidores, as mães preferem receber dinheiro — percepção mais forte entre os mais jovens. Desses, 26% gostariam de liberdade para usar o valor como quiserem e 20% usariam para pagar contas ou despesas básicas. Já 54% acreditam que o simbolismo da data ainda fala mais alto, e que as mães não abrem mão da emoção de receber um presente físico.

Compra híbrida: pesquisa online, decisão no físico

A jornada de compra do Dia das Mães confirma um comportamento híbrido. De um lado, a pesquisa de preço acontece majoritariamente no ambiente digital; de outro, a concretização da compra acontece, em grande parte, no ponto físico.

Segundo o levantamento, 79% dos consumidores pretendem comprar em lojas físicas, com destaque para os shopping centers (29%) e centros comerciais populares (21%). Já 47% planejam utilizar canais online, como aplicativos (75%), sites (60%) e o Instagram (25%). Entre os endereços virtuais mais citados aparecem os grandes varejistas internacionais (55%), sites especializados em cosméticos e perfumes (40%) e as plataformas de lojas de departamento (35%).

“O sucesso do lojista neste Dia das Mães depende da sua presença em múltiplos pontos de contato. O consumidor hoje usa a internet como uma bússola para filtrar as melhores ofertas e evitar gastos desnecessários, especialmente em tempos de orçamento curto. Mas é no ponto de venda físico que a mágica acontece; a tradição de sair para comprar o presente da mãe permanece forte no brasileiro, fazendo com que as lojas físicas ainda dominem o volume de transações, mesmo que o caminho até lá tenha passado por uma tela”, avalia Costa.

A pesquisa de preços é uma etapa quase obrigatória: 77% dos consumidores pretendem comparar valores antes de decidir. A maioria começa essa busca com antecedência – 73% pesquisam 15 dias ou mais antes da data. Entre aqueles que comparam valores, 87% o fazem pela internet, seja em sites e aplicativos (78%) ou nas redes sociais (43%). O varejo físico, porém, mantém relevância: 69% também pesquisam diretamente nas lojas, sobretudo em shoppings (45%) e no comércio de rua (37%).

PIX lidera, mas parcelamento ainda é forte — mesmo sem garantia

Quanto à forma de pagamento, a pesquisa mostra um equilíbrio entre as compras à vista e a prazo. Ao todo, 68% dos consumidores pretendem pagar à vista, principalmente via Pix (52%) e cartão de débito (21%). Já 58% planejam parcelar pelo menos parte das compras, com destaque para o cartão de crédito parcelado (36%). A média de parcelas escolhida é de quatro vezes.

A preocupação está no fato de que 64% dos entrevistados que parcelam não têm garantia plena de pagamento das prestações. O estudo identifica três perfis: os “Calculados”, que assumem apenas parcelas que acreditam conseguir pagar (37%); os “Preocupados/Otimistas”, que sabem que o orçamento ficará apertado, mas confiam que “vão dar um jeito” (37%); e os “Imediatistas”, que priorizam a satisfação da compra no presente, mesmo em detrimento do planejamento financeiro futuro (27%).

Na descoberta dos produtos, o impacto é equilibrado entre o mundo físico e o digital: vitrines de lojas (39%) e Instagram (39%) dividem a liderança, seguidos por indicações de conhecidos (35%) e buscadores na internet (33%). Os fatores que mais pesam na decisão de compra são a qualidade do produto (41%), o preço (40%), promoções e descontos (35%) e o frete grátis (30%).

A divisão de custos também aparece como estratégia para viabilizar presentes mais caros. Entre os consumidores, 13% pretendem dividir o valor do presente. Desse grupo, 50% dividirão com irmãos, 32% com outros familiares e 23% com o pai. A principal motivação é oferecer um presente melhor (38%). Outros justificam a divisão pelo alto preço dos produtos (21%) ou pela necessidade de reduzir o impacto individual do gasto (15%). Mesmo assim, a grande maioria (82%) ainda prefere arcar sozinha com o presente.

Dia das Mães: prioridade mesmo com contas em atraso

O peso emocional da data aparece com força no comportamento financeiro. Entre os consumidores que pretendem comprar presentes, 39% estão com contas em atraso. Mesmo assim, 87% afirmam que “darão um jeito” de presentear, independentemente das limitações do momento. Para isso, 57% planejam recalcular o valor do presente e escolher opções mais baratas; 23% buscam uma renda extra, por meio de trabalhos adicionais ou venda de itens pessoais; 14% dividem o valor com outras pessoas e parte recorre ao cartão de crédito de terceiros.

Para 63% dos entrevistados, o presente de Dia das Mães acaba ficando à frente de outras obrigações pessoais ou financeiras. As principais estratégias para viabilizar a compra incluem o corte em gastos com lazer (24%) e o adiamento de compras de uso pessoal, como roupas e eletrônicos (24%). Além disso, 23% admitem que irão parcelar mesmo sabendo que isso vai comprometer o orçamento dos meses seguintes.

Quanto à celebração da data, 42% pretendem comemorar na casa da mãe, 29% em sua própria casa e 10% planejam almoçar fora, o que também movimenta bares, restaurantes e serviços de alimentação.Dia das Mães deve movimentar quase R$ 38 bilhões e leva 127 milhões de brasileiros às compras

Be the first to comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.


*